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Os Preceitos na Umbanda Afro-Rural: o cuidado que sustenta o axé

“Quem guarda o corpo, guarda o axé.”

Na Umbanda, tudo é movimento ancestral, e os preceitos são os cuidados que mantêm o equilíbrio entre o corpo, o espírito e o axé. São resguardos, orientações e “tabus” que preparam o umbandista para o trabalho espiritual, e também o ajudam a preservar a força que recebe durante as giras.

Na Umbanda Afro-Rural, esses preceitos ganham contornos próprios, nascidos da vivência com a natureza, com o campo e com os saberes tradicionais do nosso povo. Por aqui, é comum ouvir os mais velhos de terreiro dizerem que não se deve passar debaixo de arame farpado, comer coentro ou carne de caça, nem cruzar galinheiro ou cemitério logo após uma limpeza espiritual. Também se evita passar por cima de espojos de animais, como o de jegue, para não “cortar o axé”.

Esses cuidados podem parecer simples, mas carregam uma sabedoria profunda: são formas de respeitar os limites e de não perder axé, de não atrair os ajogun (morte, doença, fofoca, mentira, desemprego, pobreza, dentre outras coisas negativas). Cada gesto de atenção é também um gesto de fé, porque quem zela do seu corpo e da sua espiritualidade, zela também do axé da casa e dos guias que o acompanham.

Mais do que “proibições”, os preceitos são ensinamentos de equilíbrio e responsabilidade. Eles nos lembram que o axé ou a iniciação na umbanda são um compromisso, e que a prosperidade individual depende do axé e do respeito com que nos colocamos diante da espiritualidade afro-brasileira.

Assim, na Umbanda Afro-Rural, aprender os preceitos é aprender a viver o axé no cotidiano, com cuidado, consciência e amor pelo que é ancestral.

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Saravá, Umbanda!