“O axé floresce onde há respeito.”
Dentro de um terreiro, cada gesto, cada palavra e cada silêncio carrega força. É por isso que falar sobre ética de terreiro é falar sobre o próprio fundamento da convivência e do axé. A ética é o que nutre o equilíbrio entre as pessoas, o respeito à espiritualidade e a harmonia da casa.
Na Umbanda Afro-Rural, aprendemos que ética é mais do que um conjunto de regras: é uma postura de vida. Ela se constrói na coletividade, no respeito à tradição e na escuta dos mais velhos, que guardam a sabedoria ancestral e orientam os caminhos com paciência e firmeza.
Ser ético no terreiro é ter responsabilidade, honestidade e integridade. É reconhecer que o espaço sagrado é um lugar de aprendizado constante e de respeito mútuo. A boa convivência nasce do entendimento de que o axé é coletivo — e se um erra, todos sentem.
Um exemplo prático está na função do cambone, aquele que auxilia o guia espiritual durante os atendimentos. O cambone escuta, observa e apoia o trabalho, mas também precisa ter discrição e sigilo. Tudo o que é ouvido durante o atendimento espiritual é sagrado e não deve ser compartilhado fora da gira. Esse silêncio é uma forma de respeito, confiança e ética.
A ética de terreiro não se limita às giras. Ela também se estende ao dia a dia, nas relações familiares, profissionais e comunitárias. É o compromisso de agir com verdade, humildade e respeito, dentro e fora do chão sagrado.
Porque o axé não se sustenta apenas com ervas, velas e rezas, ele se firma também com caráter, responsabilidade e amor pelo coletivo.
Roda de Conversa com Pai Nathan de Exu Ventania
Reflexões semanais sobre espiritualidade, ancestralidade e cultura de terreiro — direto do Terreiro de Umbanda Mensageiro dos Ventos, Comunidade Quilombola de Barra II, Morro do Chapéu (BA).