
Toda segunda-feira, quando abrimos os trabalhos espirituais no Terreiro de Umbanda Mensageiro dos Ventos para as consultas, o primeiro som que ecoa é o toque do Adjá.
Mas você sabe o que é esse instrumento e qual o seu significado dentro das tradições afro-brasileiras?
A palavra Adjá vem do idioma iorubá e significa sineta (um instrumento musical que, dentro dos rituais, tem a função de chamar o sagrado). É o som que chama os orixás, guias e entidades, abrindo o caminho para o trabalho espiritual acontecer.
Na Umbanda, o uso da sineta está profundamente ligado à influência do catolicismo, religião que historicamente “dialogou” com as práticas afro-brasileiras na formação dos terreiros. Assim, o toque do sino e o toque do Adjá se encontram em propósito e força: ambos anunciam a presença dos espíritos/entidades que chegam para trabalhar.
A diferença entre eles está, sobretudo, na forma.
Enquanto a sineta lembra o sino tradicional, com um pequeno badalo interno, o Adjá, mais comum nos terreiros de Candomblé, possui um formato diferente, com pequenas campânulas externas presas a um suporte de metal.
Ainda assim, o som que produzem carrega o mesmo sentido espiritual: vibrar o axé e abrir o canal de comunicação entre o mundo material e o espiritual.
Não há proibição quanto ao uso do Adjá nos terreiros de Umbanda. Pelo contrário, muitos dirigentes e médiuns optam por ele, reconhecendo nesse som ancestral uma energia de respeito e conexão com as tradições africanas que sustentam nossas práticas.
O toque do Adjá, portanto, é mais do que um som.
É voz ancestral que desperta o axé, que anuncia a presença dos guias e lembra que, antes de qualquer palavra, é a vibração que faz o sagrado se manifestar.